José Simões Dias

 

José Simões Dias nasceu na Benfeita (Arganil) a 05 de Fevereiro de 1844. Filho de António Simões Dias, proprietário, natural das Luadas, e de Maria do Rosário Gonçalves, José Simões Dias veio a falecer com 55 anos de idade, no dia 3 de Março de 1899, na cidade de Lisboa, vítima de uma dilatação congénita da aorta.

Concluiu os seus estudos primários em 1854, tendo seguido para Pedrógão Grande, distrito de Leiria, para casa do pároco, seu tio Albino Simões Dias Cardoso, para iniciar os seus estudos de Latim. Aos 13 anos vai para casa de um parente, em Coimbra, onde a sua vida foi sempre eivada de rara parcimónia e sucessivas dificuldades. Cedendo à vontade dos parentes, que o desejavam clérigo, fez os estudos preparatórios e inscreveu-se num curso de teologia, que terminou aos 17 anos de idade, não sendo ordenado logo sacerdote precisamente por falta de idade. Matriculou-se na Universidade, ao mesmo tempo que leccionou como professor particular. Em 1868 terminou brilhantemente o seu curso de direito, tendo sido convidado a ingressar no corpo docente da Universidade, não tendo aceite. Em 1869 é nomeado para a cadeira de português, francês, latim, economia rural e administração pública, na cidade de Elvas, onde viveu desde que casara e onde morre a sua primeira mulher, em 1870. Desgostoso muda-se para Lisboa e trabalha na Secretaria da Justiça. Logo em 1871 transfere-se para Viseu, onde lecciona no liceu local. Um ano depois da sua chegada a Viseu, casa-se, pela segunda vez. Deste enlace proveio uma filha.

 

Eleito deputado, às cortes, por Mangualde, em 1879, estreou-se como orador parlamentar de excelentes recursos, ao propor que fosse considerado dia de gala nacional, o dia em que se comemorava o tricentenário da morte de Camões. Três legislaturas mais o tiveram por deputado, até1892.

Transferido de Viseu, foi colocado como professor e chefe de secretaria do liceu da capital, onde permaneceu até à sua morte

 

Colaborou nos periódicos literários de Coimbra: Tira-teimas, Prelúdios literários, Fósforo, Hinos e Flores, Harpa, Átila, Academia, que fundou com Emídio Navarro e Lopes Praça, Crisálida, em que se associou com Teófilo Braga e Duarte Vasconcelos e na revista Folha, dirigida por João Penha, seguindo muito de perto o Parnasianismo. Notam-se influências do Ultra-Romantismo e do Realismo, em especial nas suas obras de ficção. Reuniu e prefaciou os Contos de Álvaro do Carvalhal. Pode dizer-se que, no período de 1861 a 1870, não houve uma publicação literária em Coimbra que não tivesse a sua colaboração, podendo ainda mencionar-se: o Povo, País, Estrela da Beira e Comércio de Coimbra.

 

 

Funda o jornal liberal e patriótico “Observador” e mais tarde o “Distrito de Viseu” jornal partidário. Dirige e colabora ainda com outros jornais.

Publica em 1870 As Peninsulares, obra reeditada em 1876, em edição revista e alargada e recentemente editada em facsimile pela Editorial Moura Pinto (1999).

Na ficção, Simões Dias publicou dois romances: As Mãis (1877) e O Pecado (1878), assim como as histórias curtas de

 

 Contos (1887), Figuras de Cera (1898) e Figuras de Gesso (1906). Foi ainda autor de livros didácticos e de outros sobre literatura: Estudos sobre a Literatura Espanhola Contemporânea (1870), Compêndio de História Pátria e Compêndio de Poética e Estilo, depois refundido em Teoria da Composição Literária (10 edições até 1907), Lições da Literatura Portuguesa depois transformada em História da Literatura Portuguesa (9 edições até 1907).

Poderemos dizer que Simões Dias foi também um poeta popular, já que muitos dos seus versos eram contados nos serões e romarias beirãs alguns deles estão publicados no livro Tesouros da Poesia Portuguesa (Verbo – 1984).

Morreu em Lisboa a 3 de Março de 1889. Estava sepultado no cemitério da Conchada em jazigo de família mas foi, posteriormente, transladado para o cemitério da Benfeita.

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