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ROMANCE Ora pois: foi tal qual como vos digo: Minha Mãe, certo dia, pôs a questão assim: - Ou Ela, ou eu! E ficou resolvido que no dia doze Minha Mãe parisse, E pariu! Pariu e ninguém se opôs! Ninguém! Como se fosse um feito glorioso Parir assim alguém, tão nu, tão desgraçado! Por mim, Ainda disse que não. Mas o seu Anjo da Guarda Era forte e tenebroso... E aquele frágil cordão Deixou de ser o meu Pão, O meu Vinho E a paz eterna do meu coração Mesquinho. Deixou de ser o silêncio Delicado e agradecido Dos meus instintos menores... Deixou de ser o Norte daquele lago Onde boiava o meu corpo Sem alegria e sem dores. Deixou de ser aquela verdadeira E sagrada ignorância do meu nome, Que Satanás me disse, quando disse: -Respira e come, Respira e come, Animal! (A voz de Satanás já nesse tempo Era humana e natural...) Deixou de ser um mundo e foi um outro. Foi a inocência perdida E a minha voz acordada... Foi a fome, a peste e a guerra. Foi a terra Sem mais nada. Depois, Sem dó nem piedade a vida começou... Minha Mãe, a tremer, analisou-me o sexoE, ao ver que eu era homem, Corou...
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