Quase no fim das férias, declarei ao meu Pai que não queria ser padre.

Quando tal ouviu, a primeira coisa que fez foi correr à porta da rua a ver se alguém passava que tivesse ouvido a blasfémia. Depois, mandou-me calar, acrescentando que me partia a cara se eu continuasse a dizer baboseiras.

- Pedaço de asno! – concluiu. – A gente a querer tirá-lo da miséria, e ele a agradecer desta maneira!

Aquela atitude desabrida meteu-me medo. Mas a minha decisão era inabalável. Apertado de todos os lados – minha Mãe, coitada, só não se ajoelhou diante de mim, acabei por jurar que me atirava ao Douro da ponte da Régua se me fizessem voltar para o seminário.

                              In: A Criação do Mundo – O Primeiro Dia

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